Ouço. Ouço novamente. E conforme ouço um pouco mais passo a perceber que John Mayer inspira-se, cada vez mais, em si próprio. De certa forma, ele cita a si próprio e consegue ter toda a razão a seu favor.
Efetivamente, trata-se de um disco diferente dos anteriores; mais efetivamente ainda, trata-se de um disco que parece colecionar o que há de melhor na obra do guitarrista. Daí dizer que John Mayer inspirou-se na própria obra. Mas isso não significa que suas declaradas influências não estejam presentes.
Como esperado e de costume: guitarras levadas ao máximo do bom gosto, tanto na execução como no timbre. A sensação que se tem é que John Mayer é um dos grandes pesquisadores da guitarra; a amplitude de timbre que ele encontra para usar dentro de um mesmo estilo, dentro de um mesmo disco, é espetacular.
Mas o que vai dar nó na cabeça da maioria dos produtores musicais é o som da bateria; ou, melhor dizendo: os plurais sons da bateria.
Geralmente, produtores optam por um som homogêneo por todo os disco. Por exemplo, quem conhece os dois principais discos da carreira da banda americana Paramore (que usamos de exemplo dada a perfeição do processo de gravação, mixagem e masterização, sem qualquer juízo valorativo relacionado ao estilo, que é pessoal) pode perceber que o som da bateria é o mesmo da primeira à última música, exceto nas músicas mais lentas e, por assim dizer, climáticas, quando a mixagem provoca uma guinada no som do instrumento conveniente à música.
Isso não ocorre em Battle Studies. Cada faixa possui sua peculiaridade relacionada ao som da bateria. Principalmente no tocante à caixa e ao bumbo. Pode notar. O disco possui três ou quatro caixas completamente diferentes umas das outras; da grave (anos 80) à aguda (anos 70 e do novo milênio, predominantes no Rock, Pop e Soul Music). Em uma faixa específica, War of My Life, o som da bateria em muito me lembrou os discos da banda Fleetwood Mac.
Isso é importante porque muitos produtores optam pela padronização do som da bateria, geralmente por motivo de “não querer arriscar” ou para facilitar o processo da mixagem. Até concordo que essa homogeneidade favorece ao disco, em uma certa forma de compreensão. Por outro lado, essa variação abre espaço para que a música seja compreendida em seu próprio universo; cada composição, cada produção, deve, a despeito de cuidar de um disco, cuidar para que cada faixa seja explorada da maneira mais adequada possível, o que possibilita em muito essa variação de sonoridade.
Quero dizer: a variação sóbria da sonoridade, aquela que não resulta de erro ou aventura irresponsável, só favorece e pode ser considerada muito importante.
A principal consideração que preciso fazer, sem redução da importância das anteriores, é sobre a fluência do Battle Studies: amigos leitores, o disco flui como água. Acho que isso se deve à combinação dos andamentos das músicas com o delay. Acho.
Temos, portanto, que o disco deve ser ouvido. Sim, porque ouvir é uma atividade muito mais eletrizante do que não ouvir. Apreço pessoal e específico: Faixa 09 – Edge of Desire.
Trata-se de um autêntico J. Mayer.
Paulo Gianini
@paulogianini










