A queda de qualidade do .mp3

•Novembro 21, 2009 • Deixe um comentário

quem dera eu fosse um músico
que tocasse só os clássicos
a platéia chorando
e eu contando os compassos
p.leminski

Essa foi a epígrafe do meu trabalho de conclusão de curso. Me formei em ciências sociais, e num determinado momento, resolvi que tinha que seguir para a área da parte social da arte. E é aqui que formamos o @designdamúsica. Um blog de quem se preocupa com a manutenção social da música. Qual é a cara da música?

A questão é antiga. No haikai de Leminski, a imagem do músico que emociona sem se deixar levar. Concentrado nos compassos, transforma notas em lágrimas.

Escrevi umas 50 páginas para falar sobre isso. A preocupação que o artista tem de procurar, a consciência que ele tem de ter, em não disponibilizar, por conta própria, um arquivo de .mp3 em 128k.

A conclusão é que tirei 10 no trabalho. Muito agradecido, chorei para inglês ver.

Por que? Pois me atrevi a dizer como que propriedades meramente físicas interferem no gosto social. Como que deixamos de gostar da sonoridade de uma bateria, por exemplo, por causa da qualidade do .mp3.

E hoje, quase um ano da conclusão do trabalho, algumas questões ainda encontam em mim, mas outras permanecem intactas.

Envio o link do trabalho para vocês:

http://www.4shared.com/file/156783486/f1dddc7b/projetofinaltccigor.html

por Igor Fediczko

Design da música é isso!

•Novembro 16, 2009 • 1 Comentário

This is it

Aqui no blog, prestamos a falar sobre tudo aquilo que envolve os acordes, os tons e as letras. Prestamos aqui a falar sobre a áurea da música, sobre o sentido social da arte, sobre a disposição dos artistas em fazer música.

Falamos sobre o conceito que cada artista procura. Sobre a busca de uma música proposital.

Falamos sobre o design da música

Michael Jackson sempre foi conhecido como o Rei do pop, aquele que canta, dança, compõe, interpreta, cativa. “MJ” era o líder de vendas de um álbum – por Thriller, nos EUA.

Só que para quem não conhecia Michael Jackson tão bem, não se sabe se ele era um cantor ou um músico comprometido com o som, com os ensaios, com a própria banda, com os arranjos. Se Michael era realmente o rei do pop ou se parte do que ele significa também era devido a seu produtor Quincy Jones – que foi parceiro dele nos três primeiros álbuns, incluindo Thriller.

E no começo desse ano, Michael ensaiava para a volta aos palcos, para uma turnê de 50 shows que teria sua abertura em Londres.

This Is It é um documentário que dá conta de mostrar as gravações dos ensaios para essa turnê. This Is It são ensaios, e apenas ensaios. São raros os depoimentos, são raras as intervenções.

O filme mostra uma banda perfeitamente ensaiada, executando magistralmente as músicas de MJ, mas não é por isso que This Is It veio parar aqui nas linhas do blog.

A entrega de Michael Jackson aos ensaios é impressionante. Apesar de que suas declarações dizendo que “deus ama a todos” soam um pouco forçadas, a dedicação com a sua própria música é invejável a qualquer músico do planeta.

Ver o sincronismo dos dançarinos, o profissionalismo dos músicos, a preocupação – as vezes até excessiva – do diretor de palco, o trabalho de iluminação, de produção de vídeo. Não tem como não ficar de queixo caído para o preciosismo de This Is It.

Só para o nosso amigo leitor ter uma idéia do que o filme mostra, é possível notar, em diversas e diversas cenas, a perfeição com que MJ executa seus passos, onde a câmera se divide em duas, mostrando dois ensaios diferentes, e a repetição dos passos de MJ é praticamente idênticos.

Tudo é pensado. Tudo é milimetricamente pensado.

Quando falamos aqui no blog, em linhas e entre-linhas, que nada pode ser aleatório, é justamente disso que falamos. De um artista que procura, como o próprio Michael diz em certa cena, levar o espectador a lugares em que ele nunca esteve.

A arte tem de ser responsável pelas emoções que causa ao espectador. E o artista TEM de ser responsável por sua arte.

Ou seja, numa regra de três simples, o artista é responsável pelo espectador. É o artista que escolhe o tanto de trabalho que ele quer ter com um show. E Michael Jackson estava, decididamente, disposto a ir até o fim para fazer um show jamais visto.

Infelizmente, This Is It é o Making Off de um show que jamais existiu. Michael Jackson foi, mas deixa um legado invejável.

O artista desaparece, mas sua obra fica, servindo para sempre de inspiração.

Ins-piração.

por Igor Fediczko

Planeta Terra, terra de cabeça pra baixo

•Novembro 12, 2009 • Deixe um comentário

Pra quem acompanha esse blog, sabe que por aqui nos preocupamos com tudo aquilo que vem junto com a música e tudo aqui que leva a música. A arte tem uma responsabilidade e muita gente se responsabiliza por ela.

Num desses sábados, estive no Planeta Terra, festival de música realizado em São Paulo que trouxe nessa edição ninguém menos que Sonic Youth e Iggy Pop.

Gostei muito dos shows. Não conhecia bem a obra do Iggy Pop, não conhecia muita coisa além do último cd do Sonic Youth, vi uma ou duas músicas antes do Primal Scream, acabei perdendo os shows do Macaco Bong e do Móveis, não conhecia The Ting Things, tampouco os outros artistas que tocaram no festival.

Tirando Copacabana Club, foi um festival digno de replay.

Deu para perceber que eu não relembrei grandes clássicos de minha vida, nem cantei alucinadamente nenhum refrão, mas mesmo assim, fiquei impressionado com a organização do festival.

Invejável até para primeiro mundo. Pra começar, o Planeta Terra desse ano foi no Playcenter – e se não podemos mais recriar woodstock, acho que a gente tem de reinventar de acordo com nossa realidade.

Internet WiFi gratuita para todo mundo, para tuitar pelos celulares e computadores de bolso. Ponto para o festival, que tinha uma grande rede social acompanhando tudo on-line.

TV Terra com entrevistas nos backstages logo após cada show, fazendo com quem fosse fã, acompanhasse desde os shows até as entrevistas depois.

Logo na entrada, todo mundo ganhou um ingresso VIP para voltar para o playcenter, um por pessoa.

Logo depois, a CocaCola, patrocinadora do festival, dava coca zero para todo mundo que entrava, gratuitamente. Acabei que toda hora que estava com sede, ia até a entrada e pegava um pouco. Não gastei um centavo com refrigerante.

Todos os brinquedos funcionando. Todos os brinquedos sem fila.

Cadeiras livres por todo o parque, para quem estivesse cansado de tanto pular de algum show.

Nenhum flanelinha  lá fora.

O som estava simplesmente perfeito. Vi uns 8 shows diferentes, NENHUMA microfonia. Nada que incomodasse aos ouvidos, sempre com muito grave, sempre soando muito bem.

O show do Sonic Youth foi o único que acompanhei do início ao fim. Fantásticos timbres, impressionante como criar aquelas camadas harmônicas só com guitarras.

Cheguei as 18h, saí de lá as 01h. Cansado e empolgado por ter gasto muito bem com a certeza de que ano que vem tem mais.

por Igor Fediczko

It Might Get Loud – Crítica

•Outubro 28, 2009 • 1 Comentário
Parece ser um filme sobre guitarra. Não é.
Parece ser um filme sobre guitarristas. Não é.
Parece ser um filme sobre música. Não é.
É um filme que fala sobre o amor à música, pelos músicos que expressam sua vontade através da guitarra.
It Might Get Loud não estreou oficialmente no Brasil, mas no último sábado fui à 33ª Mostra Internacional de Cinema, aqui em São Paulo, para ver Jack White, Jimmy Page e The Edge. Sensacional.
Têm poucos solos, quase não fala dos equipamentos de cada um, não
enche o saco com erudição musical. É um filme sobre o amor à música, e a guitarra está ali apenas como instrumento. Apesar dos elogios à madeira, ao cheiro e às propriedades de uma guitarra, durante todo o filme o diretor David Guggenheim tenta deixar claro que a guitarra é um instrumento, e apenas isso. Poderiam ser três bateristas, poderiam ser pianistas, mas o que acontece é que foram escolhidos três guitarristas. E o que fica claro é o amor à música.
The Edge, em certa cena, se pergunta: “Sou apenas um guitarrista ou também um compositor?”. E essa é a tônica do filme. Os três falando sobre o seu amor à música.
Eu realmente achava que ia encontrar um filme que conta sobre as músicas do U2, sobre o pensamento retrô de Jack White, sobre a importância de Jimmy Page. Mas não… O Led Zeppelin mal é citado, The Edge explica muito pouco sobre suas invenções e Jack White não fala muita coisa sobre suas gravações.
O filme foca basicamente na história do The Edge entrando no U2 e no começo de sua carreira; em como Jimmy Page se tornou guitarrista e em de que maneira Jack White resolveu aderir à música.
The Edge mostra os primeiros lugares onde tocaram, onde ensaiavam e o mural em que ele leu, há muitos anos atrás, que “certa banda” precisava de um guitarrista. Mas sobre seus delays, muito pouco se fala.
Por um tempo, por algum motivo, mas pouco se mostra como The Edge se distanciou do estilo de tocar dos outros guitarristas.
Sobre o Led Zeppelin, muito pouco. A história de Jimmy Page é contada: o nosso amigo quase biólogo, ainda novinho, tocava em bandas de estúdio, até que descobriu que precisava tocar músicas diferentes daquelas das partituras. Com o It Might Get Loud conseguimos entender de leve o porquê da agressividade do Led Zeppelin, mesmo mencionando muito pouco a banda. Jimmy Page tinha uma necessidade visceral de abandonar o academicismo e os estudos. Os estudos e os estúdios.
Aliás, a cena que mostra onde foi gravado o disco “4″, numa casa com grande reverberação, é simplesmente emocionante. Jimmy Page explicando como John Bonham se identificou com o som da bateria na sala da casa e como ele queria que soasse é uma das melhores partes do filme.
Já as cenas sobre Jack White são quase um filme à parte. O documentário tem, pelo menos, quatro grandes passagens de Jack: a introdução do filme conhecida, com Jack White construindo uma guitarra com uma garrafa de coca cola; a cena do guitarrista tocando algumas músicas no piano; outra gravando uma música improvisada num antigo gravador de fita; e principalmente a parte do solo de “Blue Veins”, com o Raconteurs.
Trabalho magnífico, também, o realizado pelo diretor, que não tinha imagens de Jack White mais novo, mas conseguiu retratar muito bem a fixação de Jack pela bateria na infância. Uma animação em preto e branco, que mostra como Jack White dormia num quarto com duas baterias, é simplesmente fantástica.
Até agora, falei apenas das histórias dos guitarristas, mas o filme ainda conta com uma reunião dos três para falar sobre música e tocar algumas canções. Não há banda, apenas três guitarras. E o estilo de cada um se sobressai. Jack White fazendo solos com muitas notas e The Edge com pouquíssimas notas. A agressividade e a classe.
Para quem não é músico, apareça. It Might Get Loud é um brinde à música. Um filme que valeria a pena por Jimmy Page, mas ainda conta com mais dois. Um filme que valeria a pena por The Edge, mas ainda conta com mais dois. Um filme que valeria a pena por Jack White. E vale.
por Igor Fediczko

Tríplice Aliança (a guerra pela arte)

•Outubro 20, 2009 • 1 Comentário

Essa publicação é sobre a melhor combinação da noite que eu conheço.

Essa publicação é sobre um lugar, uma pessoa e um instrumento, todos eles possíveis de se vislumbrar na foto que segue.

giba

Vamos por partes, não muitas, mas, ainda sim por partes, para dar os acentos corretos.

Teta Jazz Bar (Rua Cardeal Arcoverde, 1265). A pequena perfeição. Aconchegante, com som sempre da mais alta qualidade e, o mais importante, barato.

O Teta cumpre função social quando possibilita que o público tenha acesso fácil (geográfico e financeiro) a uma música selecionada, sem vínculos midiáticos. Para os amantes do jazz e da MPB, a visita é indispensável. O cronograma habitual? Ouvir boa música, comer bem e pagar pouco por isso. E um pleonástico ponto final nesse coneito.

Giba Estebez (www.gibaestebez.com.br). Provavelmente o herdeiro do que há de melhor em matéria de música executada em pianos ou teclados. Onde há teclas, lá estarão suas mãos, vibrando o impecável.

O que o Giba sabe não se ensina por aí. Nem ele mesmo pode ensinar sua grandeza, que não é questão de didática: é puro bom gosto, do começo ao fim do show.

Não há aluno do Giba que não se sinta musicalmente forçado a, eventualmente, responsabilizá-lo por todos os acertos e pedir perdão por todos os erros… Quando o aluno acerta, crédito do Giba; quando o aluno erra, faltou experiência.

Digo isso não em nome de todos os alunos do mestre (que opinam como bem entendem), mas em meu próprio.

Onde quer que Giba Estebez esteja tocando, lá estará um público satisfeito e precipitando lágrimas.

Nord (www.clavia.se). Electro (um, dois ou três), Lead, C1, Stage… Pode escolher. De plano, o melhor instrumento para um tecladista. Tecnologia de ponta que oferece meios para o devido cumprimento da função do tecladista profissional. E outro pleonástico ponto final sobre isso.

O vermelinho da foto é impossível. Na era moderna, é o melhor para reproduzir os insturmentos consagrados em muitos anos de música, sem ter que gastar anos e anos de salário mínimo.

Porém, cuidado! Toda Ferrari precisa de piloto. Quem tem deve usá-lo bem, para não cometer nenhum crime artístico.

Na infantaria para um mundo de cultura artística: Teta Jazz Bar, Giba Estebez e Clavia/Nord.

Paulo Gianini

Festival TRIP de política

•Outubro 19, 2009 • Deixe um comentário

Nesse último domingo, 19 de outubro de 2009, centenas de pessoas se reuniram no Studio SP num evento organizado pela Revista Trip, para se discutir política e os rumos da sociedade.

O evento era aberto ao público, gratuito e com participação de alguns nomes da política social do nosso país. Fernando Gabeira era o mais conhecido, mas muitos outros também estavam por lá, como a vereadora Mara Gabrilli, Xico Sá, João Wainer, Carlos Nader.

Cheguei um pouco tarde no StudioSP, mas mesmo assim achei que era válido escrever sobre o festival aqui no design da música. Por vários motivos…

O Gabeira é POP.

Pra começar… Ele fala e todo mundo entende. Pode não concordar, mas entende. Tudo que ele diz soa como início, meio e fim. As discussões foram todas ouvidas, o StudioSP tava cheio, todo mundo em pé e todo mundo em silêncio.

Também vi exposições de fotos políticas, o show do Instituto, alguns depoimentos, mas o que me fez realmente ter a certeza de que era preciso escrever aqui no @designdamúsica é que, depois de algum tempo, música e política se juntam.

A arte tem de ser social. A arte tem de ser proposital.

E falar de política para jovens, falar de política com jovens, falar de política no espaço onde é frequentado por jovens, isso tudo só pode representar um avanço na questão de se pensar a arte no Brasil.

Depois de 1985, com a retomada do poder do Estado pelos civis, o sopro de inspiração sócio-artística caiu violentamente. Se antes tínhamos construção, alegria alegria, eu quero botar meu bloco na rua, de repente temos que procurar assunto para gritar por aí, e, no máximo no máximo, dizer que tua piscina está cheia de ratos.

Depois de 1985, a política se afastou da arte.

E ontem, o que vi naquele debate foram 400, 500 pessoas pensando em como fazer política com os instrumentos, com as câmeras.

Alê Youssef fez uma pergunta:

É possível fazer política sem gravata?

Claro que é! E estamos aqui para isso. É isso que o @designdamúsica quer… Uma arte social, uma música com design, uma música engajada – e não só no sentido político, mas no sentido de ser proposital. Que o artista se preocupe com tudo.

QUEREMOS QUE O ARTISTA SE PREOCUPE COM TUDO!!! ATÉ COM A ROUPA QUE O ROADIE VAI VESTIR…

Ontem foi um festival, de muitos que há de vir.

Para terminar, um video de um professor da PUC, Mario Sérgio Cortella, falando sobre esperançar. Simplesmente alucinante.

por Igor Fediczko

Lançada a Recompensa…

•Outubro 14, 2009 • 9 Comentários

Contra toda injustiça a nossa arma principal: o método. A análise do lançamento do disco de André Longhin será, portanto, sistemática.

longhin

O disco Recompensa, dentro do segmento em que surge, é um dos melhores que já ouvi. Dadas as escolhas feitas pelo artista André Longhin em conjuto com seus produtores, deve-ser dizer que é um trabalho Pop, com visitações inteligentes ao Rock, constatada a presença de guitarras, sem falar na índole do compositor que não deixa esconder suas influências de Rock mais puro, como Incubus, por exemplo.

Porém, em matéria instrumental, o marcante a respeito desse disco são os violões de aço muito bem captados e executados, justificando a opção do engenheiro de mixagem em não exaltar as guitarras, que não deixam de ser muito bem captadas e executadas. Como resultado, a vontade de ouvir bem alto, porque está efetivamente muito bom.

Contudo, de nada serviria um processo de produção desse nível técnico sem as composições de qualidade alta e constante de André Longhin.

Em verdade, o talento para composições do cantor já havia sido verificada muito tempo atrás, em bandas sobre as quais resta somente lamentar que não tenham aparecido para o significativo público que mereciam, como Grind, para mencionar apenas uma.

Ainda sobre as composições, a despeito do fato de serem efetivamente de bom gosto (muito acima do que o mercado nacional oferece hoje em dia), pode-se dizer, em contrapartida, no máximo, que não trazem novidades em matéria de assunto; sem dúvida, entretanto, trazem evolução histórica dentro do Pop-Rock, e pode servir de exemplo para muitas bandas que pararam no tempo. André Longhin inovou dentro de seu estilo e nos dá esperanças de um futuro melhor.

A propósito, tanto o disco como a apresentação ao vivo se exaltam pelos vocais muito bem executados; outro talento já antes verificado que nitidamente se mantém.

A respeito de outras escolhas relacionadas ao lançamento do disco, tenho ressalvas muito específicas. O local (HI-FI, brooklin, São Paulo) é o menos indicado para bandas ao vivo, muito menos para eventos do porte de um lançamento de disco.

O serviço é medíocre e o preço segrega provavelmente 90% do público alvo de um trabalho Pop-Rock. Eu entendo as dificuldades de um artista independente se apresentar. Se é verdade, porém, que a HI-FI foi a melhor opção e deixou o artista sem alternativas melhores, então São Paulo está longe do sonho de propagar a música independente.

E uma nota pessoal: André, o show foi curto!

De resto, está de parabéns. Eu certamente voltarei ao show do André Longhin, com prazer de sobra, contanto que não seja na HI-FI.

Recomendo.

Paulo Gianini

VMB?

•Outubro 6, 2009 • 1 Comentário

Quando vai ser? Já foi? Quando, gente?

Quinta-feira passada? Aquilo foi o VMB?

Mais parecia um jantarzinho na casa do Bonadio. Ninguém se enxerga? Ninguém tem vergonha? Aquela panela estúpida e ninguém pra ver que algo está errado…

Algumas bandas mal tinham músicos em sua formação. E eu exemplifico sim: CINE. Pra ser uma banda ruim ainda falta muito. A sensação que me dá é a de que não há ninguém fazendo alguma coisa em benefício da arte, em benefício da música. Na verdade, a diferença prática entre essas bandinhas da mídia altual são os cantores, porque as composições parecem ter saído da mesma gaveta, de um só compositor.

Depois do VMB eu perdi a esportiva. Meu “fair-play” vai ficar para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, esta, por sinal, berço da coisa mais honesta, sensata e inteligente desse país: a bossa.

Não fosse pelo Móveis Coloniais de Acajú, tudo não teria passado de uma grande falta de respeito. Meu respeito, aliás, só o Móveis tem (e de sobra); o resto vai ter que conquistar e vai ser difícil.

Eu sei, eu sei… Não sou ninguém e não há quem dê a mínima para minha opinião, muito menos o Bonadio e sua gangue de bandas. Eles estão na mídia! Eles podem! Eu não posso, dado o fenômeno estatísico do meu anonimato.

Mas, não me enganam. Quando se chega à mídia com suficiente força a ponto de influenciar, aí é necessário haver personalidade e competência artística; no caso, entretanto, o que há são adolescentes com crachás, nos quais se lê um determinado valor, pelo qual aceitam ser vendidos. E assim estão: vendidos, mortos.

O crime artístico que cometeram é tão grave, que se todos os instrumentos fossem destruídos como penalidade, dizer-se-ia: justificável.

Deram voz a quem jamais aprendeu a dizer “bom dia”.

Eu olho para os meus pais, para minha banda, para meus amigos, minha namorada e preciso manter a promessa que reiteradamente faço quando evito de morrer por mais um ano e digo: farei valer toda a confiança que em mim foi depositada como artísta e jamais porei no papel, virtual ou não, algo que não seja da mais absoluta relevância.

Twitter do ano?

Que vergonha…

por PauloGianini

Cibelle é muito mais que música.

•Setembro 20, 2009 • 3 Comentários
Cibelle é muito mais que música.
Quando eu fizer o meu show só de influências, Cibelle vai estar nele.
Na última quinta estive no Sesc Vila Mariana, e ver o show da Cibelle não é ver um amontoado de músicas saindo da voz de uma cantora. Cibelle é muito mais que apenas música.
Acompanhado de um controlador midi ligado num laptop, uma loopstation na ponta dos pés, uma guitarra com delay e dois microfones, Cibelle fez show só com suas influências. E, no meio da apresentação, ela deixou claro que não são só influências na música. Colocou junto um cenário que ela deixou claro que é influência de “Rick”, uma roupa que é influência de outro alguém.
Cibelle não é uma cantora, é uma artista. Ela não pensa na música, e sim na arte. Não pensa na voz, mas sim no todo. Não pensa no Brasil, mas sim no mundo.
Tocou desde Caê e Dorival até Daniel Johnston. Gravava camadas de voz pelo loop station, soltava sons percurssivos pelo controlador, fazia bases na guitarra, cantava por cima de tudo. E minha lágrima caía, sem se preocupar com mais nada.
E no final do show, visivilmente emocionada, Cibelle percebeu que um show só de influências não poderia faltar uma das maiores influências para todo o público que estava lá: ela mesmo.
E assim, tirando o meu chão, Cibelle cantou Instante de Dois, e no primeiro Lá Maior, todo mundo aplaudia calorosamente, mostrando que sim, adoramos Cibelle.
No meu show só de influências, também vou gritar que quero um dia ensolarado.

Quando eu fizer o meu show só de influências, Cibelle vai estar nele.

Na última quinta estive no Sesc Vila Mariana, e ver o show da Cibelle não é ver um amontoado de músicas saindo da voz de uma cantora. Cibelle é muito mais que apenas música.

Acompanhado de um controlador midi ligado num laptop, uma loopstation na ponta dos pés, uma guitarra com delay e dois microfones, Cibelle fez show só com suas influências. E, no meio da apresentação, ela deixou claro que não são só influências na música. Colocou junto um cenário que ela deixou claro que é influência de “Rick”, uma roupa que é influência de outro alguém.

Cibelle não é uma cantora, é uma artista. Ela não pensa na música, e sim na arte. Não pensa na voz, mas sim no todo. Não pensa no Brasil, mas sim no mundo.

Tocou desde Caê e Dorival até Daniel Johnston. Gravava camadas de voz pelo loop station, soltava sons percurssivos pelo controlador, fazia bases na guitarra, cantava por cima de tudo. E minha lágrima caía, sem se preocupar com mais nada.

E no final do show, visivilmente emocionada, Cibelle percebeu que um show só de influências não poderia faltar uma das maiores influências para todo o público que estava lá: ela mesmo.

E assim, tirando o meu chão, Cibelle cantou Instante de Dois, e no primeiro Lá Maior, todo mundo aplaudia calorosamente, mostrando que sim, adoramos Cibelle.

No meu show só de influências, também vou gritar que quero um dia ensolarado.

por Igor Fediczko

Volver neles!

•Setembro 9, 2009 • 2 Comentários
Hoje existe um conceito de “banda independente” que não existia a alguns anos atrás. Classificar um estilo de rock como “rock indie” é incompleto no sentido de que ser independente não diz muito sobre o gênero musical, mas o fato é que socialmente, algumas bandas que não tem contrato e nem vínculo com selos e gravadoras, fazem um tipo de som que se assemelham entre sí.
O chamado “rock indie”, “rock alternativo” foi calcado em cima dos Los Hermanos, e, de repente, tudo que tem dissonância + overdrive se parece com Los Hermanos.
Por isso, tá na hora de parar de comparar tudo com Los Hermanos.
Volver é um exemplo típico disso. É rock e ponto.
Vindos do Recife, estão morando em São Paulo, pois sabem que aqui a circulação de bandas é muito maior, e o circuito favorece muito mais do que em qualquer outro lugar do recife. Livrarias, bares, casas noturnas, programas de tv. Tudo está aqui.
Fui vê-los na FUNHOUSE e cheguei a duas conclusões:
- Eles reproduzem quase que religiosamente o som tirado no estúdio
- Nunca mais volto naquele lugar
Para quem não conhece a banda, vale BEM a pena procurar o trabalho deles para baixar. Achei um material em baixa taxa de bits (variando entre 112kb e 150kb), mas dá para sacar muito bem as composições dos caras. A referência com Beatles é nítida, as harmonias e melodias, soa muito como a fase Rubber Soul dos Beatles.
Duas guitarras, baixo e batera. Em algumas músicas, hammond e rhodes. Com muito bom gosto, com muita sutileza. Muito solos de guitarra, chega a ficar repetitivo – tem que ser falado, mas as músicas são realmente fascinantes. Letras simples e profundas, sem tentar soar como remanescentas da ditadura militar, e sem soar como estudante universitário de letras, tudo é usado com muito bom gosto, as rimas e os tons.
Ao vivo, é exatamente isso que se vê. A reprodução do que se tem no disco. O show é bem executado, as falas são simples, as músicas são precisas. Mas a Funhouse é pequena, tem uma acustica que não favoreceria nem o Jack Johnson, a iluminação lembra Bruxa de Blair e o dj insiste em tocar mais alto que a banda.
Do resto, vale a pena conferir. Volver neles !

Hoje existe um conceito de “banda independente” que não existia a alguns anos atrás. Classificar um estilo de rock como “rock indie” é incompleto no sentido de que ser independente não diz muito sobre o gênero musical, mas o fato é que socialmente, algumas bandas que não tem contrato e nem vínculo com selos e gravadoras, fazem um tipo de som que se assemelham entre sí.

O chamado “rock indie”, “rock alternativo” foi calcado em cima dos Los Hermanos, e, de repente, tudo que tem dissonância + overdrive se parece com Los Hermanos.

Por isso, tá na hora de parar de comparar tudo com Los Hermanos.

Volver é um exemplo típico disso. É rock e ponto.

Vindos do Recife, estão morando em São Paulo, pois sabem que aqui a circulação de bandas é muito maior, e o circuito favorece muito mais do que em qualquer outro lugar do recife. Livrarias, bares, casas noturnas, programas de tv. Tudo está aqui.

Fui vê-los na FUNHOUSE e cheguei a duas conclusões:

- Eles reproduzem quase que religiosamente o som tirado no estúdio

– Nunca mais volto naquele lugar

Para quem não conhece a banda, vale BEM a pena procurar o trabalho deles para baixar. Achei um material em baixa taxa de bits (variando entre 112kb e 150kb), mas dá para sacar muito bem as composições dos caras. A referência com Beatles é nítida, as harmonias e melodias, soa muito como a fase Rubber Soul dos Beatles.

Duas guitarras, baixo e batera. Em algumas músicas, hammond e rhodes. Com muito bom gosto, com muita sutileza. Muito solos de guitarra, chega a ficar repetitivo – tem que ser falado, mas as músicas são realmente fascinantes. Letras simples e profundas, sem tentar soar como remanescentas da ditadura militar, e sem soar como estudante universitário de letras, tudo é usado com muito bom gosto, as rimas e os tons.

Ao vivo, é exatamente isso que se vê. A reprodução do que se tem no disco. O show é bem executado, as falas são simples, as músicas são precisas. Mas a Funhouse é pequena, tem uma acustica que não favoreceria nem o Jack Johnson, a iluminação lembra Bruxa de Blair e o dj insiste em tocar mais alto que a banda.

Do resto, vale a pena conferir. Volver neles !

por Igor Fediczko

para quem quer conhecer Volver por uma música, baixe A SORTE. se não gostar dessa london calling à brasileira, não gostará de mais nada.