Aqui é festa, amor (ou sobre a exorcização de um gênio)
“Numa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto.”
Assim começa “Metamorfose”, de Franz Kafka. O pernambucano Otto usa da primeira frase o livro de Kafka para sintetizar os sentimentos e a sonoridade do ótimo EXCELENTE disco recém lançado.
Depois de ser chamado de “Moby do Sertão” pelo NYTIMES, Otto fez o lançamento do seu quarto disco nesse final de semana no auditório do Ibirapuera.
O disco,
“Foi foda, foi foda… Mas agora estou aqui, com vocês”, dizia Otto durante o show. “Certa manhã” é primeiro disco de Otto depois da sua separação com a atriz Alessandra Negrini. E quase como num disco conceitual, “Certa manhã” trilha um caminho de redenção, nostalgia, melancolia, tudo isso escancarado, berrado, numa necessidade de exorcizar uma dor que hoje já não é mais só dele.
Procurei o disco especialmente por causa da faixa Crua, que é a faixa de abertura do disco, que sintetiza todo o trabalho. “Há sempre um lado que pese e um outro lado que flutua, tua pele é crua”. A dor que pesa vai fazer peso durante as dez faixas do disco, vai fazer peso durante as duas horas do show.
(por falta de material sobre o show do ibirapuera, esse video de Otto cantando Crua é de um show no Rio de Janeiro) O show,Em todo o show, Otto agradece aos músicos, agradece ao público, agradece a produção, agradece ao auditório, a cidade de São Paulo, a Chico Science, a todos. Corre de um lado para o outro, tira a camisa, desce na platéia, corre pelo público, abraça a banda, olha para as luzes, entra em cena, sai de cena. Parece a primeira vez que canta num palco.
A sonoridade da banda soava impecável. Fernando Catatau mostrando por que é gênio, escolha precisa dos timbres, das frases, dos tons. Beto Gibbs na bateria, Ryan Baptista no baixo, Bactéria nos teclados, Junior Boca na outra guitarra, Malê e Axé na percurssão. A qualidade do som impressionou. Não soava baixo, não soava alto. Perfeito. Trabalho maravilhoso da técnica.

As músicas,
Otto cantou “Crua”, faixa que abre o disco, mas o momento de explosão do show foi em 6 minutos, faixa que Otto apontava, mostrava, fazia a imagem de uma dor que é substituida por flores. A dor dele e de todos nós. “Nasceram flores num quarto escuro / mas eu te juro / são flores de um longo inverno”. Inverno que Otto passou compondo as faixas de “Certa manhã”, exorcizando sua dor.
Otto não tinha outra alternativa. A única possibilidade era a superação, mas a verdade é que ele fez isso da melhor forma possível.


http://www.4shared.com/file/189991327/b954f791/OTTO_CERTA_MANH_ACORDEI_DE_SON.html?s=1
[...] do disco Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, que Otto fez no auditório do Ibirapuera. (http://designdamusica.wordpress.com/2010/03/15/aqui-e-festa-amor-ou-sobre-a-exorcizacao-de-um-genio/). Hoje, pude comprovar a regularidade da genialidade de [...]