Las Venus Resort Pallace Hotel

•27/04/2010 • Deixe um comentário
“Hotel bom mesmo, de cinco estrelas, tem nome discreto.
Las Venus Resort Palace Hotel tem tipo uma estrela e meia, e olha lá.
A cerveja é quente, mas voce ADORA!”
Cibelle chega ao terceiro disco, com a certeza de quem ela é. Ou melhor, com a certeza de quem ela quer ser.

Se em “Cibelle” (2003) e em “The Shine of Dried Electric Leaves” (2006) a gente conhecia a voz, as influências, o estilo e o jeitão pós-tropicália (querendo voltar), é exatamente em “Las Venus Resort Palace Hotel” que a gente percebe que Cibelle se diferencia da maioria das cantoras do Brasil por um motivo: um conceito.

Estamos aqui no @designdamusica para ver além da sonoridade, e Las Venus é perfeito para isso.

Cibelle é roqueira, é gringa com suingue, é brasileira com personalidade, é agressiva com classe.

Basta uma ouvida em “Escute Bem” para saber por  que Cibelle é apaixonada por Caetano – e ela nem precisa dizer isso para a gente,  aqui do @designdamusica, saber. Basta uma ouvida na guitarra e as notas agudas da voz em “Brad My Hair” para entender por que ela é agressiva.

O disco tem sons de animais, não tem pausa entre as faixas, as sonoridades conversam entre si. É um disco conceitual, da cabeça aos pés.

Na edição física (mais conhecida como compact disc – que eu prometo que vou comprar!), a própria Cibelle disse que vem com um pôster. Quer entender por que Cibelle é muito mais que música? Então é só procurar por quem faz isso hoje em dia.

Até quando Cibelle tenta ser chata, ela não consegue. “Man From Mars” é um dub/eletronico que deixaria Fernanda Porto com inveja. Mas a profundidade da voz e o clima dos backings fazem com que o disco vá mais para perto de In Rainbows do que da chata Porto.

O clima tropicalista de “Melting de Ice” é típico de repeat. Não é pesado, não é leve. Não é clean, não é dark. É Las Venus, com a cerveja quente e tudo mais.

Em “Sad Piano“, Cibelle conquista aqueles que insistem em dizer que a década de 80 é a década perdida. As notas vocais de Cibelle, as melodias que a voz percorre e o domínio técnico que ela tem sobre a voz é lindo. Não tem efeitos exagerados, não tem produção inflada. É piano e voz, numa harmonia menor linda.

Cibelle canta mesmo, não é papo de produtor.

Escute Bem” é o ponto alto do disco. Acerta na cabeça, pega desprevenido aquele que ouve o disco no iPod enquanto faz cooper na av. Sumaré. “Você precisa agora apenas / É acreditar em mim / Que o não tem fim / E tudo pode ser maior, melhor que tudo, tudo“. Se você não parar de fazer cooper quando ouvir Cibelle cantando essa frase, pode parar que essa corrida tá fazendo mal para tua alma.

Sam Genders chega em “The Gun and The Knife” para fazer trilha de filme. Deixaria Nicole Kidman e Robbie Williams com ciúmes. É um dueto ao som de violão de nylon, efeitos de guitarra, flauta e reverberações.

Agora, se você não se convenceu da qualidade da moça, “Sapato Azul” é tua última chance. “Com os olhos bem abertos / guardo pequenas estrelas / pedacinhos de deus“, num clima impressionante. Pupillo na bateria, no melhor estilo Pupillo, sem grooves manjados, mas sempre muito simples. Catatau na guitarra, no melhor estilo Catatau, sem frases vindas de escalas conhecidas, mas sempre melodioso e muito musical.

Las Venus Resort Palace Hotel é rock, mas não é rock. É tropicália, mas hoje em dia. Tem swing brasileiro, mas é quase que 100% em inglês. Tem sonoridade gringa, mas é paulistana da gema. Soa como uma cantora excelente, que deveria estar em turnê no Brasil, mas mal aparece aqui nas terras tupiniquins.


Las Venus Resort Palace Hotel não é bonitinho. Tem uma estrela e meia, incomoda, é indigesto, mas a gente adora.

A exorcização de um gênio (parte II)

•09/04/2010 • 1 Comentário

Acabo de chegar do Sesc Pinheiros, onde tive o prazer de ver mais uma vez a genialidade de Otto.

Algumas semanas atrás, escrevi sobre o show de lançamento do disco Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, que Otto fez no auditório do Ibirapuera. (http://designdamusica.wordpress.com/2010/03/15/aqui-e-festa-amor-ou-sobre-a-exorcizacao-de-um-genio/). Hoje, pude comprovar a regularidade da genialidade de Otto.

Com certeza, um dos maiores nomes da cena mangue-beat, do estado de Pernambuco, Otto se entrega de tal modo no palco que parece que ele não está no controle do show. Demonstra que está ali como boa parte do público: como se cada minuto, se cada compasso fosse uma surpresa agradável.

Muito mais contido, segurando as próprias palavras – e deixando bem claro que queria segurar as palavras – a impressão que ficou é que Otto estava ali para fazer música. Não queria falar, e tudo que falou foi algo como “muita coisa eu penso enquanto canto, é natural, mas não vou falar tudo que passa por minha cabeça”.

Se Otto queria mostrar que merece elogios com motivos meramente musicais, então é isso que vamos fazer.

A  abertura dos shows vem sendo feita com a música filha. O tema é bastante claro, mas por que essa música para abertura dos shows?

O refrão de filha diz:

“Aqui é festa, amor / E há tristeza em minha vida”

Essa é a linha que segue durante o show. A exorcização de um gênio, que precisa berrar, gritar, vomitar toda a sua dor, fazer cada compasso virar festa.

É o aviso de Otto, e se ele não quis falar o que passou pela cabeça durante o show, é de se imaginar que os aplausos e gritos só trazem mais superação para essa festa.

Em Crua, (faixa de abertura do cd), mais uma vez Otto coloca a mão no rosto, imitando uma ligação de celular, durante a parte “mas daquela noite que eu chamei você, fodia”. O lado que pesa e o lado que flutua estavam por uma ligação telefônica, que pelo que parece, demorou 6 minutos.

A banda de Otto soa perfeita. Catatau continua sendo um show a parte, os timbres, os solos todos com o wah acionado, tudo é maravilhoso.

Pra Ser Só Minha Mulher foi uma das mais cantadas do show, Leite novamente foi cantada à capela, só esperando por Céu.

Em 6 minutos, música que fechou o primeiro set, na parte que seria: “de uma casa pequena / com uma varanda / chamando as crianças pra jantar”, o cantor quis ser ainda mais vísceral, colocando o nome da filha na letra, ficando “e você me falou / de uma casa pequena / com uma varanda / chamando a Betina pra jantar”.

Se há tristeza e dor, como Filha diz, berrar funciona, exorciza a dor e faz o lado que pesa começar a flutuar.

Jack White e a internet: culpa do mundo ou do músico?

•07/04/2010 • Deixe um comentário

“A internet é uma ótima ferramenta para muitas coisas, mas está em oposição ao conceito de tratar a música como arte e com respeito”

Esse assunto é recorrente e inconclusivo.

Em circunstâncias previsíveis, essa seria a oportunidade para criticar veementemente o guitarrista. Porém, não nos parece ser o caso.

Acreditamos que o Jack White saiba exatamente a proporção em que a internet beneficiou o seu trabalho. Embora arriscado, parece ser possível argumentar que o trabalho do guitarrista seria radicalmente menos conhecido não fosse pela internet e pelo filme It Might Get Loud (leia sobre em http://bit.ly/3yAMdM).

Qual, então, o motivo de um músico ciente dos benefícios que a internet o trouxe diria algo como

“Na minha cabeça, ainda vivo e trabalho como se não houvesse internet e a trato como uma chateação.”

Coisa de americano caipira? Pode até ser. Porém, pensemos no seguinte: do total dos leitores da presente publicação, uma fração certamente assistiu ao It Might Get Loud. Nesse universo de pessoas, algumas foram ao cinema, algumas alugaram o filme e outras, não sabemos quantas, baixaram o filme pela internet para assistir em seu computador. A pergunta é: baixaram em alta ou baixa qualidade? Mais ainda, a pergunta é: preferes baixar um filme em alta ou baixa qualidade?

Mesmo que sua internet seja lenta, não é preferível ter um filme em seu computador em alta qualidade? Quando visitamos o YouTube, sempre verificamos a possibilidade de assistir àquele específico vídeo em HD – High Definition. Sabe o motivo? Uma dica: é muito melhor. Sabe por que é melhor? Porque é fiel. Fiel ao que o produtor do vídeo quer transmitir. Além de favorecer aos olhos, ainda que demore um pouco mais para carregar.

Sempre queremos tudo na melhor qualidade possível. Toda a medida do Belo é a alta qualidade. Segmento áureo, simetria, olhos azuis, traços perfeitos, dêem o nome que mais os aprouver. Fato é: quanto maior a qualidade, melhor.

Ocorre que o Jack White, quando entra na internet, tem acesso a músicas em mp3, às vezes em míseros 92 Kbps. Nesse sentido a internet é efetivamente odiável. No caso do guitarrista em apreço, principalmente porque a música dele é veiculada pela internet no tipo de taxa citada; ele considera isso falta de respeito à arte dele. Quer uma notícia? Ele tem razão.

Discordamos do J. White quando diz que internet é chateação. Internet é ferramenta de acesso, de entretenimento, de acesso, acesso e acesso.  Coisa que durante muito tempo restou condenada ao anonimato, surgiu com a internet e, com isso, surgiu opinião, juízo de valor, análise, conceito e assim por diante.

A culpa não é da internet! A culpa não é do que o homem cria; a culpa é do homem, que usa mal o que cria.

Nós gastamos muito espaço baixando filmes e seriados gringos em alta qualidade, até em Full HD. Que tal baixar música em Full HD também? Garanto que ocupa menos espaço que filme e seriado.

O problema é a irresponsabilidade dos artistas com a própria arte. Bandas de todo o Brasil gastam vinte, trinta mil Reais para fazer um disco, mas disponibilizam para download em mp3 a uma taxa sempre inferior a 320Kbps, que seria o mínimo para uma padrão aceitável de qualidade.

É possível explicar o que se perde com taxas tão baixas, como 92Kbps, mas é difícil; a lista é longa. Digamos somente que sofrem a ambiência, o delay, a compressão, a equalização… O resultado!

Esse teu amor ao mp3 não vale nada. Pergunta ao @igordisco, que nisso é especialista acadêmico.

Quem sabe um dia o Jack White vá mudar de opinião. Mas a música precisa de ressurgir das cinzas a que foi reduzida pelo mp3. Se os discos das bandas forem disponibilizados em HD Audio, nossos ouvidos reconhecerão o melhor em matéria de qualidade sonora. A internet só deixará de ser contra a música quando a música for veiculada com o respeito que merece.

Chega de preguiça! O preço médio do MegaByte diminui a cada dia que passa.

Que bobagem… A internet sempre esteve a favor da música. Sempre esteve a favor do acesso. Acontece que a qualidade ficou pra depois, mas o depois ficou pra ontem. Mais qualidade é necessária.

Há quem fique até vinte e quatro horas esperando o download de um filme. De um episódio ou temporada de algum seriado. É porque querem assistir; e o querem da melhor maneira possível, ainda que demore. Se o seu público quiser mesmo ouvir ao seu disco ele vai esperar. Porque você merece. Porque você fez por merecer.

O problema é que o Jack White diz que a internet é inimiga da música, mas ele próprio não disponibiliza a própria música em alta qualidade. Por força de contrato ou por puro capitalismo, diga-se de passagem.

Não importa. Ninguém vai morrer pelas bobagens que qualquer artista importante vá dizer. Entretanto, iremos falecer diante do monte de cinzas da baixa qualidade. Cuidado… Entrar no páreo é oferecer alta qualidade, em sentido amplíssimo.

Nossa fonte para a publicação que chega ao fim foi http://musica.uol.com.br/ultnot/2010/04/06/jack-white-diz-que-internet-e-a-maior-inimiga-da-musica.jhtm.

Até uma próxima oportunidade, ainda que demore tanto quanto um download em Full HD.

@paulogianini

Anacrônica: Curitiba fala Rock fluente…

•23/03/2010 • 1 Comentário

Acho que usei essa frase recentemente: vamos apressar a resenha. Isso é para o texto não ficar enfadonho; além do que, como veremos, o tempo é curto.

Fonte: Banda Anacrônica

Da maneira mais simples possível: Pode comprar o disco sim. Não há nada de errado com ele. Produzido por Tomás Magno, produtor em merecida ascensão em São Paulo, o disco “Deus e os Loucos”, com faixa homônima, entrega com precisão o que existe de principal na banda: bateria, baixo, guitarra e o característico vocal feminino da Sandra Piola.

A principal motivação para a presente publicação, em verdade, foi o impacto da última apresentação da banda em São Paulo, na Livraria da Esquina, no projeto Mais Massa, na última quinta-feira, junto à banda Volver, de Recife. Muita informação para uma frase? Então, vamos simplificar a resenha.

É assim: a base que o “power trio” elabora dentro do Rock é exemplar. A consistência da sonoridade é de fazer inveja. Se você não foi a uma apresentação da Anacrônica, então você só tem parte do que eles tem a oferecer. Deixei claro que o disco é excelente; porém, a banda ao vivo não deixa a menor dúvida: a veia do Rock existe ali. É muito bom de ouvir o equilíbrio do qual resulta uma base firme, rigorosa e propícia para e inevitável estrela do show: a vocalista Sandra Piola.

Ela trata o público com respeito e, pensando bem, com admiração. Em matéria de vocal feminino, no Brasil, o mais provável é que ela lidera a lista com folga. Com timbre de muita personalidade aliado à simpatia e muito eficiente comunicação visual, fazem com que a experiência de uma apresentação ao vivo da banda seja além do agradável. Ela conversa constantemente, não entre uma música e outra; ela conversa com você durante a música.

A performance da banda é digna de aplausos.

Em verdade, a simplificação da resenha serve para um motivo muito específico: para o leitor chegar rapidamente à seguinte informação: a abertura do show do Franz Ferdinand em São Paulo é da Anacrônica. Você tem ingresso? Então, chega cedo e assiste à banda. Consta que será às 20h. Espero que não. Espero que atrase, para todos verem.

Em suma: http://www.myspace.com/bandaanacronica

É mais do que o bastante. Quem puder ver ao vivo, e acho fundamental, privilegiado é.

@paulogianini

Aqui é festa, amor (ou sobre a exorcização de um gênio)

•15/03/2010 • 2 Comentários

“Numa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto.”

Assim começa “Metamorfose”, de Franz Kafka. O pernambucano Otto usa da primeira frase o livro de Kafka para sintetizar os sentimentos e a sonoridade do ótimo EXCELENTE disco recém lançado.

Depois de ser chamado de “Moby do Sertão” pelo NYTIMES, Otto fez o lançamento do seu quarto disco nesse final de semana no auditório do Ibirapuera.

O disco,

“Foi foda, foi foda… Mas agora estou aqui, com vocês”, dizia Otto durante o show. “Certa manhã” é primeiro disco de Otto depois da sua separação com a atriz Alessandra Negrini. E quase como num disco conceitual, “Certa manhã” trilha um caminho de redenção, nostalgia, melancolia, tudo isso escancarado, berrado, numa necessidade de exorcizar uma dor que hoje já não é mais só dele.

Procurei o disco especialmente por causa da faixa Crua, que é a faixa de abertura do disco, que sintetiza todo o trabalho. “Há sempre um lado que pese e um outro lado que flutua, tua pele é crua”. A dor que pesa vai fazer peso durante as dez faixas do disco, vai fazer peso durante as duas horas do show.

(por falta de material sobre o show do ibirapuera, esse video de Otto cantando Crua é de um show no Rio de Janeiro)
O show,

Em todo o show, Otto agradece aos músicos, agradece ao público, agradece a produção, agradece ao auditório, a cidade de São Paulo, a Chico Science, a todos. Corre de um lado para o outro, tira a camisa, desce na platéia, corre pelo público, abraça a banda, olha para as luzes, entra em cena, sai de cena. Parece a primeira vez que canta num palco.

A sonoridade da banda soava impecável. Fernando Catatau mostrando por que é gênio, escolha precisa dos timbres, das frases, dos tons. Beto Gibbs na bateria, Ryan Baptista no baixo, Bactéria nos teclados, Junior Boca na outra guitarra, Malê e Axé na percurssão. A qualidade do som impressionou. Não soava baixo, não soava alto. Perfeito. Trabalho maravilhoso da técnica.

As músicas,

Otto cantou “Crua”, faixa que abre o disco, mas o momento de explosão do show foi em 6 minutos, faixa que Otto apontava, mostrava, fazia a imagem de uma dor que é substituida por flores. A dor dele e de todos nós. “Nasceram flores num quarto escuro / mas eu te juro / são flores de um longo inverno”. Inverno que Otto passou compondo as faixas de “Certa manhã”, exorcizando sua dor.

Otto não tinha outra alternativa. A única possibilidade era a superação, mas a verdade é que ele fez isso da melhor forma possível.

À arte, Volver.

•12/03/2010 • Deixe um comentário

Quem poderia prever que pudesse haver Volver?

Fonte: Banda Volver

Acima, a capa do disco Acima da Chuva. Pois que os elogios à banda serão de fora para dentro.

Quem me apresentou a banda foi o @igordisco, quando colocou no carro, enquanto contava que havia ido ao show da banda e tudo o mais. Porém, vamos apressar a resenha.

A banda deu conta de apresentar todos os seus vários pontos positivos nos primeiros trinta segundos da faixa que abre o disco, Pra Deus Implorar: letras belíssimas, harmonias atraentes e guitarras entrelaçadas brilhantemente. A maneira pela qual os assuntos são tratados nos parece ser resultado da naturalidade poética com que as letras foram elaboradas.

“Quis me perder na imensidão de um pensamento”.

É naturalmente impossível conhecer todas as bandas que há no Brasil. Entretanto, haja vista aos resultados aos que Volver chegou em Acima da Chuva – nos quesitos composição, poesia e produção -, leva-nos a crer que a banda pode estar entre as melhores da atualidade brasileira em sua categoria. Qual categoria? A categoria das bandas boas, naturalmente.

“A sorte Vem de trem/ também vem de avião”.

Ainda sobre a poesia das letras, no mínimo, pode-se dizer que eles usam as palavra de maneira muito mais inteligente do que se vê por aí, em específico no que se refere à palavra avião, que na faixa A Sorte, foi usada com muito sucesso.

Outro aspecto em que nos sentimos obrigados a entrar é a credibilidade do vocalista e guitarrista, Bruno Souto. O timbre sóbrio e amadurecido, características raras no Rock brasileiro, faz perfeito veículo para as letras e melodias, estas sempre criativas e cativantes. Além disso – opinião pessoal do autor da presente resenha -, as feições academicistas do vocalista são responsáveis pelo ambiente ao redor do qual orbita a sensação de confiança para com a banda.

Está na cara que você pode conversar com eles; está na cara que eles vão conversar com você; está na cara que eles merecem.

O encarte é sensacional. As músicas são incríveis.

Ponto negativo? Sai dessa vida; a banda é f… “Do nada tudo pode acontecer”.

É difícil uma banda assim: escreve, inspira, toca, influencia. Volver conseguiu o que todas as bandas da nova cena desejam: reconhecimento vinculado restritamente à qualidade.

O mais importante, a curto prazo é, dois pontos

Para fazer prova do que foi dito: http://www.myspace.com/volverbrasil

Eles vão tocar dia dezoito de março de dois mil e dez na Livraria da Esquina, no Projeto Mais Massa;

Das faixas do disco, destacamos:

Pra Deus Implorar, A sorte, Não sei Dançar e Tão Perto, Tão Certo;

@volverbrasil, para nós que acreditamos que a síntese se faz em, no máximo, cento e quarenta caracteres.

@paulogianini

A volta da música como obra de arte

•09/03/2010 • Deixe um comentário

Algum tempo atrás, desenvolvi uma monografia em que fazia uma pergunta: para onde vai a industria da música?

O formato .mp3 deterioriza a música ao ponto de certas frequências não existirem e certas nuances não fazerem mais sentido. Tudo fica chapado, as ambiências se perdem e o detalhe de cada instrumento se torna imperceptível.

Por compromisso com a velocidade, e não com a qualidade, os arquivos .mp3 baixaram o nível técnico da música.

A pergunta é simples, pra que eu gasto milhares e milhares de reais (ou dolares) em um disco, se ele vai ser ouvido no MySpace?

Os estúdios se re-adaptaram a essa nova maneira de ouvir música, e se antes eles se preocupavam com a equalização, começaram a se preocupar com o volume. Tudo virou uma guerra de volume… O que soasse mais alto, levaria vantagem.

Então, de repente, a própria técnologia deu conta de concertar o seu erro. E cada vez mais, os .mp3 de qualidade ruim estão desaparecendo.

Um .mp3 de 128k (qualidade pouco superior ao myspace) tem em média de 1 mega por minuto. Uma música de 4 minutos, 4 megas.

Um .mp3 de 320k (teóricamente sem perda de qualidade) tem em média de 4 megas por minuto. Uma música de 4 minutos, pouco mais de 10 megas.

Seria impensável baixar um disco inteiro em 320k com a internet de 5 anos atrás. 150 megas, 200 megas… Isso levaria horas.

Mas hoje, com o aumento da velocidade da banda larga para a classe que consome música pela internet, cada vez mais os .mp3 surgem em 320k.

Links com download de discos inteiros, com capa e encarte. A obra volta a ser respeitada na íntegra. Vale a pena, novamente, a gravar um disco conceitual. O modo de reproução de “discos” do iPod, a biblioteca do iTUnes. Tudo volta a contribuir para o conceito de “obra de arte”, e agora em 320k.

por Igor Fediczko

Veja também A queda de qualidade do .mp3

 
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