Las Venus Resort Palace Hotel tem tipo uma estrela e meia, e olha lá.
A cerveja é quente, mas voce ADORA!”

Acabo de chegar do Sesc Pinheiros, onde tive o prazer de ver mais uma vez a genialidade de Otto.
Algumas semanas atrás, escrevi sobre o show de lançamento do disco Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, que Otto fez no auditório do Ibirapuera. (http://designdamusica.wordpress.com/2010/03/15/aqui-e-festa-amor-ou-sobre-a-exorcizacao-de-um-genio/). Hoje, pude comprovar a regularidade da genialidade de Otto.
Com certeza, um dos maiores nomes da cena mangue-beat, do estado de Pernambuco, Otto se entrega de tal modo no palco que parece que ele não está no controle do show. Demonstra que está ali como boa parte do público: como se cada minuto, se cada compasso fosse uma surpresa agradável.
Muito mais contido, segurando as próprias palavras – e deixando bem claro que queria segurar as palavras – a impressão que ficou é que Otto estava ali para fazer música. Não queria falar, e tudo que falou foi algo como “muita coisa eu penso enquanto canto, é natural, mas não vou falar tudo que passa por minha cabeça”.
A abertura dos shows vem sendo feita com a música filha. O tema é bastante claro, mas por que essa música para abertura dos shows?
O refrão de filha diz:
“Aqui é festa, amor / E há tristeza em minha vida”
Essa é a linha que segue durante o show. A exorcização de um gênio, que precisa berrar, gritar, vomitar toda a sua dor, fazer cada compasso virar festa.
É o aviso de Otto, e se ele não quis falar o que passou pela cabeça durante o show, é de se imaginar que os aplausos e gritos só trazem mais superação para essa festa.
Em Crua, (faixa de abertura do cd), mais uma vez Otto coloca a mão no rosto, imitando uma ligação de celular, durante a parte “mas daquela noite que eu chamei você, fodia”. O lado que pesa e o lado que flutua estavam por uma ligação telefônica, que pelo que parece, demorou 6 minutos.
A banda de Otto soa perfeita. Catatau continua sendo um show a parte, os timbres, os solos todos com o wah acionado, tudo é maravilhoso.
Pra Ser Só Minha Mulher foi uma das mais cantadas do show, Leite novamente foi cantada à capela, só esperando por Céu.
Em 6 minutos, música que fechou o primeiro set, na parte que seria: “de uma casa pequena / com uma varanda / chamando as crianças pra jantar”, o cantor quis ser ainda mais vísceral, colocando o nome da filha na letra, ficando “e você me falou / de uma casa pequena / com uma varanda / chamando a Betina pra jantar”.
Se há tristeza e dor, como Filha diz, berrar funciona, exorciza a dor e faz o lado que pesa começar a flutuar.
“A internet é uma ótima ferramenta para muitas coisas, mas está em oposição ao conceito de tratar a música como arte e com respeito”
Esse assunto é recorrente e inconclusivo.
Em circunstâncias previsíveis, essa seria a oportunidade para criticar veementemente o guitarrista. Porém, não nos parece ser o caso.
Acreditamos que o Jack White saiba exatamente a proporção em que a internet beneficiou o seu trabalho. Embora arriscado, parece ser possível argumentar que o trabalho do guitarrista seria radicalmente menos conhecido não fosse pela internet e pelo filme It Might Get Loud (leia sobre em http://bit.ly/3yAMdM).
Qual, então, o motivo de um músico ciente dos benefícios que a internet o trouxe diria algo como
“Na minha cabeça, ainda vivo e trabalho como se não houvesse internet e a trato como uma chateação.”
Coisa de americano caipira? Pode até ser. Porém, pensemos no seguinte: do total dos leitores da presente publicação, uma fração certamente assistiu ao It Might Get Loud. Nesse universo de pessoas, algumas foram ao cinema, algumas alugaram o filme e outras, não sabemos quantas, baixaram o filme pela internet para assistir em seu computador. A pergunta é: baixaram em alta ou baixa qualidade? Mais ainda, a pergunta é: preferes baixar um filme em alta ou baixa qualidade?
Mesmo que sua internet seja lenta, não é preferível ter um filme em seu computador em alta qualidade? Quando visitamos o YouTube, sempre verificamos a possibilidade de assistir àquele específico vídeo em HD – High Definition. Sabe o motivo? Uma dica: é muito melhor. Sabe por que é melhor? Porque é fiel. Fiel ao que o produtor do vídeo quer transmitir. Além de favorecer aos olhos, ainda que demore um pouco mais para carregar.
Sempre queremos tudo na melhor qualidade possível. Toda a medida do Belo é a alta qualidade. Segmento áureo, simetria, olhos azuis, traços perfeitos, dêem o nome que mais os aprouver. Fato é: quanto maior a qualidade, melhor.
Ocorre que o Jack White, quando entra na internet, tem acesso a músicas em mp3, às vezes em míseros 92 Kbps. Nesse sentido a internet é efetivamente odiável. No caso do guitarrista em apreço, principalmente porque a música dele é veiculada pela internet no tipo de taxa citada; ele considera isso falta de respeito à arte dele. Quer uma notícia? Ele tem razão.
Discordamos do J. White quando diz que internet é chateação. Internet é ferramenta de acesso, de entretenimento, de acesso, acesso e acesso. Coisa que durante muito tempo restou condenada ao anonimato, surgiu com a internet e, com isso, surgiu opinião, juízo de valor, análise, conceito e assim por diante.
A culpa não é da internet! A culpa não é do que o homem cria; a culpa é do homem, que usa mal o que cria.
Nós gastamos muito espaço baixando filmes e seriados gringos em alta qualidade, até em Full HD. Que tal baixar música em Full HD também? Garanto que ocupa menos espaço que filme e seriado.
O problema é a irresponsabilidade dos artistas com a própria arte. Bandas de todo o Brasil gastam vinte, trinta mil Reais para fazer um disco, mas disponibilizam para download em mp3 a uma taxa sempre inferior a 320Kbps, que seria o mínimo para uma padrão aceitável de qualidade.
É possível explicar o que se perde com taxas tão baixas, como 92Kbps, mas é difícil; a lista é longa. Digamos somente que sofrem a ambiência, o delay, a compressão, a equalização… O resultado!
Esse teu amor ao mp3 não vale nada. Pergunta ao @igordisco, que nisso é especialista acadêmico.
Quem sabe um dia o Jack White vá mudar de opinião. Mas a música precisa de ressurgir das cinzas a que foi reduzida pelo mp3. Se os discos das bandas forem disponibilizados em HD Audio, nossos ouvidos reconhecerão o melhor em matéria de qualidade sonora. A internet só deixará de ser contra a música quando a música for veiculada com o respeito que merece.
Chega de preguiça! O preço médio do MegaByte diminui a cada dia que passa.
Que bobagem… A internet sempre esteve a favor da música. Sempre esteve a favor do acesso. Acontece que a qualidade ficou pra depois, mas o depois ficou pra ontem. Mais qualidade é necessária.
Há quem fique até vinte e quatro horas esperando o download de um filme. De um episódio ou temporada de algum seriado. É porque querem assistir; e o querem da melhor maneira possível, ainda que demore. Se o seu público quiser mesmo ouvir ao seu disco ele vai esperar. Porque você merece. Porque você fez por merecer.
O problema é que o Jack White diz que a internet é inimiga da música, mas ele próprio não disponibiliza a própria música em alta qualidade. Por força de contrato ou por puro capitalismo, diga-se de passagem.
Não importa. Ninguém vai morrer pelas bobagens que qualquer artista importante vá dizer. Entretanto, iremos falecer diante do monte de cinzas da baixa qualidade. Cuidado… Entrar no páreo é oferecer alta qualidade, em sentido amplíssimo.
Nossa fonte para a publicação que chega ao fim foi http://musica.uol.com.br/ultnot/2010/04/06/jack-white-diz-que-internet-e-a-maior-inimiga-da-musica.jhtm.
Até uma próxima oportunidade, ainda que demore tanto quanto um download em Full HD.
@paulogianini
Acho que usei essa frase recentemente: vamos apressar a resenha. Isso é para o texto não ficar enfadonho; além do que, como veremos, o tempo é curto.
Da maneira mais simples possível: Pode comprar o disco sim. Não há nada de errado com ele. Produzido por Tomás Magno, produtor em merecida ascensão em São Paulo, o disco “Deus e os Loucos”, com faixa homônima, entrega com precisão o que existe de principal na banda: bateria, baixo, guitarra e o característico vocal feminino da Sandra Piola.
A principal motivação para a presente publicação, em verdade, foi o impacto da última apresentação da banda em São Paulo, na Livraria da Esquina, no projeto Mais Massa, na última quinta-feira, junto à banda Volver, de Recife. Muita informação para uma frase? Então, vamos simplificar a resenha.
É assim: a base que o “power trio” elabora dentro do Rock é exemplar. A consistência da sonoridade é de fazer inveja. Se você não foi a uma apresentação da Anacrônica, então você só tem parte do que eles tem a oferecer. Deixei claro que o disco é excelente; porém, a banda ao vivo não deixa a menor dúvida: a veia do Rock existe ali. É muito bom de ouvir o equilíbrio do qual resulta uma base firme, rigorosa e propícia para e inevitável estrela do show: a vocalista Sandra Piola.
Ela trata o público com respeito e, pensando bem, com admiração. Em matéria de vocal feminino, no Brasil, o mais provável é que ela lidera a lista com folga. Com timbre de muita personalidade aliado à simpatia e muito eficiente comunicação visual, fazem com que a experiência de uma apresentação ao vivo da banda seja além do agradável. Ela conversa constantemente, não entre uma música e outra; ela conversa com você durante a música.
A performance da banda é digna de aplausos.
Em verdade, a simplificação da resenha serve para um motivo muito específico: para o leitor chegar rapidamente à seguinte informação: a abertura do show do Franz Ferdinand em São Paulo é da Anacrônica. Você tem ingresso? Então, chega cedo e assiste à banda. Consta que será às 20h. Espero que não. Espero que atrase, para todos verem.
Em suma: http://www.myspace.com/bandaanacronica
É mais do que o bastante. Quem puder ver ao vivo, e acho fundamental, privilegiado é.
@paulogianini
“Numa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto.”
Assim começa “Metamorfose”, de Franz Kafka. O pernambucano Otto usa da primeira frase o livro de Kafka para sintetizar os sentimentos e a sonoridade do ótimo EXCELENTE disco recém lançado.
Depois de ser chamado de “Moby do Sertão” pelo NYTIMES, Otto fez o lançamento do seu quarto disco nesse final de semana no auditório do Ibirapuera.
O disco,
“Foi foda, foi foda… Mas agora estou aqui, com vocês”, dizia Otto durante o show. “Certa manhã” é primeiro disco de Otto depois da sua separação com a atriz Alessandra Negrini. E quase como num disco conceitual, “Certa manhã” trilha um caminho de redenção, nostalgia, melancolia, tudo isso escancarado, berrado, numa necessidade de exorcizar uma dor que hoje já não é mais só dele.
Procurei o disco especialmente por causa da faixa Crua, que é a faixa de abertura do disco, que sintetiza todo o trabalho. “Há sempre um lado que pese e um outro lado que flutua, tua pele é crua”. A dor que pesa vai fazer peso durante as dez faixas do disco, vai fazer peso durante as duas horas do show.
(por falta de material sobre o show do ibirapuera, esse video de Otto cantando Crua é de um show no Rio de Janeiro) O show,Em todo o show, Otto agradece aos músicos, agradece ao público, agradece a produção, agradece ao auditório, a cidade de São Paulo, a Chico Science, a todos. Corre de um lado para o outro, tira a camisa, desce na platéia, corre pelo público, abraça a banda, olha para as luzes, entra em cena, sai de cena. Parece a primeira vez que canta num palco.
A sonoridade da banda soava impecável. Fernando Catatau mostrando por que é gênio, escolha precisa dos timbres, das frases, dos tons. Beto Gibbs na bateria, Ryan Baptista no baixo, Bactéria nos teclados, Junior Boca na outra guitarra, Malê e Axé na percurssão. A qualidade do som impressionou. Não soava baixo, não soava alto. Perfeito. Trabalho maravilhoso da técnica.

As músicas,
Otto cantou “Crua”, faixa que abre o disco, mas o momento de explosão do show foi em 6 minutos, faixa que Otto apontava, mostrava, fazia a imagem de uma dor que é substituida por flores. A dor dele e de todos nós. “Nasceram flores num quarto escuro / mas eu te juro / são flores de um longo inverno”. Inverno que Otto passou compondo as faixas de “Certa manhã”, exorcizando sua dor.
Otto não tinha outra alternativa. A única possibilidade era a superação, mas a verdade é que ele fez isso da melhor forma possível.
Quem poderia prever que pudesse haver Volver?
Acima, a capa do disco Acima da Chuva. Pois que os elogios à banda serão de fora para dentro.
Quem me apresentou a banda foi o @igordisco, quando colocou no carro, enquanto contava que havia ido ao show da banda e tudo o mais. Porém, vamos apressar a resenha.
A banda deu conta de apresentar todos os seus vários pontos positivos nos primeiros trinta segundos da faixa que abre o disco, Pra Deus Implorar: letras belíssimas, harmonias atraentes e guitarras entrelaçadas brilhantemente. A maneira pela qual os assuntos são tratados nos parece ser resultado da naturalidade poética com que as letras foram elaboradas.
“Quis me perder na imensidão de um pensamento”.
É naturalmente impossível conhecer todas as bandas que há no Brasil. Entretanto, haja vista aos resultados aos que Volver chegou em Acima da Chuva – nos quesitos composição, poesia e produção -, leva-nos a crer que a banda pode estar entre as melhores da atualidade brasileira em sua categoria. Qual categoria? A categoria das bandas boas, naturalmente.
“A sorte Vem de trem/ também vem de avião”.
Ainda sobre a poesia das letras, no mínimo, pode-se dizer que eles usam as palavra de maneira muito mais inteligente do que se vê por aí, em específico no que se refere à palavra avião, que na faixa A Sorte, foi usada com muito sucesso.
Outro aspecto em que nos sentimos obrigados a entrar é a credibilidade do vocalista e guitarrista, Bruno Souto. O timbre sóbrio e amadurecido, características raras no Rock brasileiro, faz perfeito veículo para as letras e melodias, estas sempre criativas e cativantes. Além disso – opinião pessoal do autor da presente resenha -, as feições academicistas do vocalista são responsáveis pelo ambiente ao redor do qual orbita a sensação de confiança para com a banda.
Está na cara que você pode conversar com eles; está na cara que eles vão conversar com você; está na cara que eles merecem.
O encarte é sensacional. As músicas são incríveis.
Ponto negativo? Sai dessa vida; a banda é f… “Do nada tudo pode acontecer”.
É difícil uma banda assim: escreve, inspira, toca, influencia. Volver conseguiu o que todas as bandas da nova cena desejam: reconhecimento vinculado restritamente à qualidade.
O mais importante, a curto prazo é, dois pontos
Para fazer prova do que foi dito: http://www.myspace.com/volverbrasil
Eles vão tocar dia dezoito de março de dois mil e dez na Livraria da Esquina, no Projeto Mais Massa;
Das faixas do disco, destacamos:
Pra Deus Implorar, A sorte, Não sei Dançar e Tão Perto, Tão Certo;
@volverbrasil, para nós que acreditamos que a síntese se faz em, no máximo, cento e quarenta caracteres.
@paulogianini

Algum tempo atrás, desenvolvi uma monografia em que fazia uma pergunta: para onde vai a industria da música?
O formato .mp3 deterioriza a música ao ponto de certas frequências não existirem e certas nuances não fazerem mais sentido. Tudo fica chapado, as ambiências se perdem e o detalhe de cada instrumento se torna imperceptível.
Por compromisso com a velocidade, e não com a qualidade, os arquivos .mp3 baixaram o nível técnico da música.
Os estúdios se re-adaptaram a essa nova maneira de ouvir música, e se antes eles se preocupavam com a equalização, começaram a se preocupar com o volume. Tudo virou uma guerra de volume… O que soasse mais alto, levaria vantagem.
Então, de repente, a própria técnologia deu conta de concertar o seu erro. E cada vez mais, os .mp3 de qualidade ruim estão desaparecendo.
Um .mp3 de 128k (qualidade pouco superior ao myspace) tem em média de 1 mega por minuto. Uma música de 4 minutos, 4 megas.
Um .mp3 de 320k (teóricamente sem perda de qualidade) tem em média de 4 megas por minuto. Uma música de 4 minutos, pouco mais de 10 megas.
Seria impensável baixar um disco inteiro em 320k com a internet de 5 anos atrás. 150 megas, 200 megas… Isso levaria horas.
Mas hoje, com o aumento da velocidade da banda larga para a classe que consome música pela internet, cada vez mais os .mp3 surgem em 320k.
Links com download de discos inteiros, com capa e encarte. A obra volta a ser respeitada na íntegra. Vale a pena, novamente, a gravar um disco conceitual. O modo de reproução de “discos” do iPod, a biblioteca do iTUnes. Tudo volta a contribuir para o conceito de “obra de arte”, e agora em 320k.
por Igor Fediczko
Veja também A queda de qualidade do .mp3